{"id":1358,"date":"2021-06-10T07:00:00","date_gmt":"2021-06-10T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=1358"},"modified":"2021-06-07T20:38:43","modified_gmt":"2021-06-07T23:38:43","slug":"idosa-nao-precisa-devolver-ao-inss-valores-de-beneficio-indevido-que-recebeu-de-boa-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/06\/10\/idosa-nao-precisa-devolver-ao-inss-valores-de-beneficio-indevido-que-recebeu-de-boa-fe\/","title":{"rendered":"Idosa n\u00e3o precisa devolver ao INSS valores de benef\u00edcio indevido que recebeu de boa-f\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p>O Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF4) deu parcial provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o de uma idosa de 77 anos, residente em Curitiba, que requisitou ao Judici\u00e1rio a n\u00e3o obrigatoriedade de devolver valores que havia recebido indevidamente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a t\u00edtulo de benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada (BPC-LOAS). No processo, a mulher afirmou que foi v\u00edtima de uma opera\u00e7\u00e3o fraudulenta que resultou na concess\u00e3o do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio. A Turma Regional Suplementar do Paran\u00e1 da Corte votou, de maneira un\u00e2nime, por declarar a inexigibilidade de restitui\u00e7\u00e3o dos valores pagos pelo INNS, por considerar que a senhora os recebeu de boa-f\u00e9. A decis\u00e3o do colegiado foi proferida em sess\u00e3o virtual de julgamento realizada na \u00faltima semana (25\/5).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O caso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a idosa, ela foi v\u00edtima de uma opera\u00e7\u00e3o fraudulenta de uma quadrilha que atuava em conluio com um servidor do INSS. De acordo com a mulher, eles obtinham documentos de diversos idosos e encaminhavam os benef\u00edcios sob uma declara\u00e7\u00e3o falsa de que viviam sozinhos ou que estariam separados de seus c\u00f4njuges.<\/p>\n\n\n\n<p>A autarquia previdenci\u00e1ria afirmou que a segurada agiu de m\u00e1-f\u00e9 e buscou o ressarcimento do benef\u00edcio assistencial pago para a idosa. O INSS sustentou que o BPC s\u00f3 foi concedido com base em declara\u00e7\u00e3o falsa sobre o estado civil e integrantes do grupo familiar da mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>A senhora ajuizou a a\u00e7\u00e3o contra o Instituto, solicitando que n\u00e3o fosse necess\u00e1rio o ressarcimento dos valores recebidos. Ela ainda pleiteou a concess\u00e3o de uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 8 mil por danos morais, alegando que as cobran\u00e7as do INSS causaram danos a sua imagem e sua sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeira inst\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2019, o ju\u00edzo da 1\u00aa Vara Federal de Curitiba julgou improcedente os pedidos, mantendo a obrigatoriedade do ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o magistrado de primeiro grau, \u201co fato de a autora ter sido abordada por terceiros para a obten\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio, n\u00e3o infirma o seu comportamento reprov\u00e1vel de alterar a verdade sobre a forma\u00e7\u00e3o do seu grupo familiar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA mentira contundente \u00e9 prova suficiente de m\u00e1-f\u00e9, no mais, n\u00e3o se vislumbra nenhum motivo para entender que ela n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es cognitivas de entender o seu ato\u201d, afirmou o juiz federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recurso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A idosa interp\u00f4s uma apela\u00e7\u00e3o junto ao TRF4.<\/p>\n\n\n\n<p>No recurso, ela alegou que n\u00e3o teve dolo ao postular o benef\u00edcio, afirmando que sequer foi r\u00e9 na investiga\u00e7\u00e3o criminal do caso, e argumentou que a quadrilha utilizou seus documentos para a concess\u00e3o do benef\u00edcio. Afirmou tamb\u00e9m que a m\u00e1-f\u00e9 n\u00e3o foi comprovada, pois ela teria somente assinado um documento em branco, estando evidenciada na diferen\u00e7a de grafia entre a letra que preencheu a declara\u00e7\u00e3o de estado civil e a letra da sua assinatura.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher ressaltou que o INSS poderia ter diligenciado para confirmar a informa\u00e7\u00e3o sobre a suposta separa\u00e7\u00e3o, sendo que n\u00e3o haveria qualquer registro de div\u00f3rcio ou separa\u00e7\u00e3o dela. A autora requisitou o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o, defendendo que n\u00e3o haveria comprova\u00e7\u00e3o de sua ci\u00eancia sobre o esquema fraudulento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Turma Regional Suplementar do PR decidiu, por unanimidade, dar parcial provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o. Foi declarada a inexigibilidade de restitui\u00e7\u00e3o dos valores recebidos, mas o colegiado indeferiu a condena\u00e7\u00e3o da autarquia por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso no Tribunal, desembargador federal Fernando Quadros da Silva, destacou que \u201cn\u00e3o apenas a autora, mas diversos outros segurados, declararam perante a Pol\u00edcia Federal que assinaram os documentos em branco, fornecendo seus documentos a terceiro que intermediou a concess\u00e3o dos benef\u00edcios\u201d, assim dando raz\u00e3o \u00e0 autora \u201cporque h\u00e1 uma clara diferen\u00e7a entre a grafia da assinatura e a grafia da declara\u00e7\u00e3o de conte\u00fado do documento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O desembargador observou tamb\u00e9m que o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal requereu o arquivamento do inqu\u00e9rito policial instaurado em face dos benefici\u00e1rios, por n\u00e3o identificar dolo nas condutas das v\u00edtimas do grupo criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o relator entendeu como improcedente o pleito de indeniza\u00e7\u00e3o: \u201ca fim de caracterizar os requisitos para a exist\u00eancia do dano moral, \u00e9 necess\u00e1ria uma conjun\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias, fato gerador e a ocorr\u00eancia do dano, bem como o nexo causal entre a conduta e o resultado danoso. N\u00e3o se configura a hip\u00f3tese de il\u00edcito quando a conduta administrativa \u00e9 pautada na aplica\u00e7\u00e3o da lei, conforme apurado pelo \u00f3rg\u00e3o previdenci\u00e1rio, n\u00e3o havendo dever de indenizar quando a conduta logrou evitar um il\u00edcito para com o er\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>TRF4 01.06.2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A senhora ajuizou a a\u00e7\u00e3o contra o Instituto, solicitando que n\u00e3o fosse necess\u00e1rio o ressarcimento dos valores recebidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1359,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[11,12],"tags":[156,1136,105,17,515],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=300%2C200&ssl=1",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=640%2C427&ssl=1",640,427,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=640%2C426&ssl=1",640,426,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=1536%2C1024&ssl=1",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?resize=1077%2C715&ssl=1",1077,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?resize=522%2C500&ssl=1",522,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?fit=1024%2C682&ssl=1",1024,682,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?resize=540%2C285&ssl=1",540,285,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/pexels-photo-3943720.jpeg?resize=375%2C250&ssl=1",375,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/advogado-sp\/\" rel=\"category tag\">advogado sp<\/a> <a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/direito-previdenciario\/\" rel=\"category tag\">Direito Previdenci\u00e1rio<\/a>","tag_info":"Direito Previdenci\u00e1rio","comment_count":"0","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1358"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1358"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1360,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1358\/revisions\/1360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}