{"id":1472,"date":"2021-08-23T07:06:00","date_gmt":"2021-08-23T10:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=1472"},"modified":"2021-08-12T21:13:50","modified_gmt":"2021-08-13T00:13:50","slug":"e-abusiva-a-inclusao-de-novos-servicos-no-plano-de-celular-sem-o-consentimento-do-consumidor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/08\/23\/e-abusiva-a-inclusao-de-novos-servicos-no-plano-de-celular-sem-o-consentimento-do-consumidor\/","title":{"rendered":"\u00c9 abusiva a inclus\u00e3o de novos servi\u00e7os no plano de celular sem o consentimento do consumidor"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) acolheu parcialmente o recurso de uma consumidora e reconheceu como abusiva a altera\u00e7\u00e3o de plano de telefonia m\u00f3vel sem o consentimento da contratante, aplicando ao caso o prazo de prescri\u00e7\u00e3o de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, o colegiado entendeu que agregar unilateralmente servi\u00e7os ao plano original modifica seu conte\u00fado e viola o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/p>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, a consumidora requereu a devolu\u00e7\u00e3o em dobro do valor pago indevidamente e a condena\u00e7\u00e3o da operadora em danos morais, por ter sido transferida para um plano que, sem ela pedir, adicionou o fornecimento de aplicativos e servi\u00e7os de terceiros, inclusive jogos eletr\u00f4nicos, que aumentaram o valor da conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul (TJRS) decidiu que a restitui\u00e7\u00e3o em dobro deveria se limitar ao aplicativo de jogos, pois os demais servi\u00e7os n\u00e3o teriam influenciado na mensalidade, e aplicou ao caso a prescri\u00e7\u00e3o trienal, relativa ao enriquecimento sem causa (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art206%C2%A73IV\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 206, par\u00e1grafo 3\u00ba, inciso IV, do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>). Com isso, o pedido foi considerado prescrito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s faturas pagas anteriormente aos tr\u00eas anos que antecederam o in\u00edcio do processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pr\u00e1tica flagrantemente abusiva da operadora<\/h2>\n\n\n\n<p>Relator do recurso no STJ, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino afirmou que, conforme o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art51\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 51, incisos X e XIII, do CDC<\/strong><\/a>, s\u00e3o nulas as altera\u00e7\u00f5es feitas unilateralmente pelo fornecedor que modifiquem o pre\u00e7o ou o conte\u00fado do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro explicou que o cuidado do legislador em separar a altera\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da altera\u00e7\u00e3o da qualidade do contrato, em diferentes incisos no CDC, teve o objetivo de real\u00e7ar que a prote\u00e7\u00e3o do consumidor contra uma delas independe da outra. De acordo com o relator, a pr\u00e1tica contratual adotada pela operadora foi abusiva, pois n\u00e3o cabe a ela decidir qual o melhor plano para o consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 certo que a pr\u00e1tica contratual adotada pela operadora de telefonia m\u00f3vel \u00e9 flagrantemente abusiva, na medida em que configura altera\u00e7\u00e3o unilateral e substancial do contrato, pr\u00e1tica vedada pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, sendo nula de pleno direito a cl\u00e1usula contratual que eventualmente a autorize&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Sanseverino tamb\u00e9m indicou que a jurisprud\u00eancia do STJ, da mesma forma, considera nula qualquer altera\u00e7\u00e3o unilateral realizada em contrato de plano de sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=863752&amp;num_registro=200200255150&amp;data=20090330&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\"><strong>REsp 418.572<\/strong><\/a>) e de financiamento banc\u00e1rio (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=IMG&amp;sequencial=13225&amp;num_registro=200000860271&amp;data=20020520&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\"><strong>REsp 274.264<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aplica\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o decenal e inexist\u00eancia de dano moral<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao analisar a prescri\u00e7\u00e3o reconhecida pelo TJRS, o ministro assinalou que a cobran\u00e7a indevida em fatura de telefonia n\u00e3o se enquadra no prazo prescricional de tr\u00eas anos, pois o pedido de restitui\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente da rela\u00e7\u00e3o contratual entre as partes, ainda que tenha havido uma indevida altera\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relator, a pretens\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 cobran\u00e7a indevida de servi\u00e7os telef\u00f4nicos n\u00e3o contratados tem prazo de dez anos (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2028444&amp;num_registro=201501788598&amp;data=20210322&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\"><strong>EAREsp 749.198<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ele observou que o ressarcimento deve retroagir apenas ao per\u00edodo de cinco anos da data do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o, em respeito ao princ\u00edpio da adstri\u00e7\u00e3o ao pedido, j\u00e1 que este foi o limite temporal estabelecido pela autora na peti\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Sanseverino, por fim, manteve a decis\u00e3o do TJRS que negou a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, uma vez que os danos suportados se restringiram ao plano patrimonial, n\u00e3o se vislumbrando ofensa a direito da personalidade da consumidora ou desvio produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=128261650&amp;registro_numero=201901454716&amp;peticao_numero=-1&amp;publicacao_data=20210610&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.817.576<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)\u00a0processo(s):<\/p>\n\n\n\n<p><a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201817576\">REsp 1817576<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 12.08.2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) acolheu parcialmente o recurso de 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