{"id":1492,"date":"2021-08-17T14:42:25","date_gmt":"2021-08-17T17:42:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=1492"},"modified":"2021-08-17T14:42:29","modified_gmt":"2021-08-17T17:42:29","slug":"inconstitucionalidade-da-distincao-de-regimes-sucessorios-alcanca-decisao-anterior-que-prejudicou-companheira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/08\/17\/inconstitucionalidade-da-distincao-de-regimes-sucessorios-alcanca-decisao-anterior-que-prejudicou-companheira\/","title":{"rendered":"Inconstitucionalidade da distin\u00e7\u00e3o de regimes sucess\u00f3rios alcan\u00e7a decis\u00e3o anterior que prejudicou companheira"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao analisar a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4744004&amp;numeroProcesso=878694&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=809\"><strong>Tema 809<\/strong><\/a>&nbsp;da repercuss\u00e3o geral, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que a tese fixada pelo Supremo Tr\u200bibunal Federal (STF) se aplica \u00e0s a\u00e7\u00f5es de invent\u00e1rio em que ainda n\u00e3o foi proferida a senten\u00e7a de partilha, mesmo que tenha havido, no curso do processo, decis\u00e3o que excluiu companheiro da sucess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No precedente do STF, foi declarada a inconstitucionalidade da distin\u00e7\u00e3o de regimes sucess\u00f3rios entre c\u00f4njuges e companheiros, prevista no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1790\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.790<\/strong><strong>&nbsp;do C\u00f3digo Civil de 2002<\/strong><\/a>. Entretanto, o STF modulou os efeitos da decis\u00e3o para aplic\u00e1-la &#8220;aos processos judiciais em que ainda n\u00e3o tenha havido tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a de partilha, assim como \u00e0s partilhas extrajudiciais em que ainda n\u00e3o tenha sido lavrada escritura p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Herdeiros questionaram no STJ a decis\u00e3o do ju\u00edzo do invent\u00e1rio que incluiu a companheira de seu falecido pai na partilha de um im\u00f3vel comprado por ele antes da uni\u00e3o est\u00e1vel, pois ela j\u00e1 havia sido exclu\u00edda da divis\u00e3o desse bem, com base no artigo 1.790 do CC\/2002, em decis\u00e3o anterior ao julgamento do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do ju\u00edzo do invent\u00e1rio foi mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios, segundo o qual, com a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade do artigo 1.790 pelo STF, deveria ser aplicado ao caso o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1829I\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.829, inciso I, do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>, admitindo-se a companheira como herdeira concorrente na sucess\u00e3o, inclusive em rela\u00e7\u00e3o ao im\u00f3vel submetido \u00e0 partilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os herdeiros, as decis\u00f5es que, antes do precedente do STF, aplicaram o artigo 1.790 do CC\/2002 e exclu\u00edram o im\u00f3vel da concorr\u00eancia heredit\u00e1ria, estariam acobertadas pela imutabilidade decorrente da preclus\u00e3o e da coisa julgada formal, motivo pelo qual n\u00e3o poderiam ser alcan\u00e7adas pela superveniente declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Modula\u00e7\u00e3o de efeitos tem interpreta\u00e7\u00e3o restritiva<\/h2>\n\n\n\n<p>A relatora, ministra Nancy Andrighi, explicou que a lei incompat\u00edvel com o texto constitucional padece do v\u00edcio de nulidade e, como regra, a declara\u00e7\u00e3o da sua inconstitucionalidade produz efeitos&nbsp;<em>ex tunc<\/em>&nbsp;(retroativos). Contudo, ela lembrou que, excepcionalmente \u2013 por raz\u00f5es como a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 boa-f\u00e9, tutela da confian\u00e7a e previsibilidade \u2013, pode ser conferida efic\u00e1cia prospectiva (efeito&nbsp;<em>ex nunc<\/em>) \u00e0s decis\u00f5es que declaram a inconstitucionalidade de lei.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As interpreta\u00e7\u00f5es subsequentes da modula\u00e7\u00e3o de efeitos devem ser restritivas, a fim de que n\u00e3o haja inadequado acr\u00e9scimo de conte\u00fado exatamente sobre aquilo que o int\u00e9rprete aut\u00eantico pretendeu, em car\u00e1ter excepcional, proteger e salvaguardar&#8221;, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Nancy Andrighi, a preocupa\u00e7\u00e3o do STF, ao modular os efeitos de sua decis\u00e3o no Tema 809, foi a de tutelar a confian\u00e7a e conferir previsibilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es finalizadas sob as regras antigas \u2013 isto \u00e9, nas a\u00e7\u00f5es de invent\u00e1rio conclu\u00eddas em que foi aplicado o artigo 1.790 do CC\/2002.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Senten\u00e7a baseada em lei inconstitucional \u00e9 inexig\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p>No caso em an\u00e1lise, a ministra verificou que n\u00e3o houve tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a de partilha, mas somente a prola\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es sobre a concorr\u00eancia heredit\u00e1ria de um bem espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a magistrada, foi l\u00edcito ao ju\u00edzo do invent\u00e1rio rever a decis\u00e3o que havia exclu\u00eddo a companheira do falecido da sucess\u00e3o heredit\u00e1ria com base no artigo 1.790 do CC\/2002, incluindo-a na sucess\u00e3o antes da prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a de partilha, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do dispositivo legal pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>A relatora lembrou que, desde a reforma promovida pela&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11232.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lei 11.232\/2005<\/strong><\/a>, a declara\u00e7\u00e3o superveniente de inconstitucionalidade de uma lei pelo STF torna inexig\u00edvel a senten\u00e7a baseada nela \u2013 mat\u00e9ria suscet\u00edvel de ser arguida na impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a, ou seja, ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado. Por esse motivo, o ju\u00edzo deve deixar de aplicar a lei inconstitucional antes da senten\u00e7a de partilha, marco temporal eleito pelo STF para modular os efeitos da tese fixada no julgamento do Tema 809.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2040232&amp;num_registro=202001437688&amp;data=20210415&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\"><strong>Leia o\u00a0ac\u00f3rd\u00e3o no\u00a0REsp 1.904.374<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>STJ 17.08.2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a magistrada, foi l\u00edcito ao ju\u00edzo do invent\u00e1rio rever a decis\u00e3o que havia exclu\u00eddo a companheira do falecido da sucess\u00e3o heredit\u00e1ria com base no artigo 1.790 do CC\/2002<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1494,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[11,28],"tags":[1257,1258,414,1256,1255],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=300%2C200&ssl=1",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=640%2C427&ssl=1",640,427,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=640%2C426&ssl=1",640,426,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=1536%2C1024&ssl=1",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?resize=1077%2C715&ssl=1",1077,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?resize=522%2C500&ssl=1",522,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?fit=1024%2C682&ssl=1",1024,682,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?resize=540%2C285&ssl=1",540,285,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pexels-photo-5700205.jpeg?resize=375%2C250&ssl=1",375,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a 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