{"id":1563,"date":"2021-09-23T07:00:00","date_gmt":"2021-09-23T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=1563"},"modified":"2021-09-19T18:03:00","modified_gmt":"2021-09-19T21:03:00","slug":"tnu-estabelece-tese-acerca-do-fator-de-conversao-do-tempo-especial-laborado-com-exposicao-ao-amianto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/09\/23\/tnu-estabelece-tese-acerca-do-fator-de-conversao-do-tempo-especial-laborado-com-exposicao-ao-amianto\/","title":{"rendered":"TNU estabelece tese acerca do fator de convers\u00e3o do tempo especial laborado com exposi\u00e7\u00e3o ao amianto"},"content":{"rendered":"\n<p>A Turma Nacional de Uniformiza\u00e7\u00e3o dos Juizados Especiais Federais (TNU) reunida em sess\u00e3o ordin\u00e1ria de julgamento,&nbsp;por videoconfer\u00eancia,&nbsp;no&nbsp;\u00faltimo&nbsp;dia 26 de agosto, decidiu,&nbsp;por maioria, negar provimento ao Incidente de Uniformiza\u00e7\u00e3o, nos termos do voto do&nbsp;juiz&nbsp;federal David Wilson&nbsp;de Abreu Pardo, julgando-o como representativo de controv\u00e9rsia&nbsp;e fixando a seguinte tese:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 1,75 para&nbsp;homem&nbsp;e 1,50 para mulher o fator de convers\u00e3o em comum do tempo especial laborado com exposi\u00e7\u00e3o ao amianto, inclusive na superf\u00edcie, para requerimentos administrativos feitos a partir da edi\u00e7\u00e3o do Decreto&nbsp;n.&nbsp;2.172\/1997 (5\/3\/1997), ainda que seja anterior o per\u00edodo trabalhado com exposi\u00e7\u00e3o ao agente nocivo\u201d&nbsp;(Tema 287).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Pedido de Uniformiza\u00e7\u00e3o foi interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)&nbsp;contra&nbsp;senten\u00e7a da&nbsp;Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais do Estado de Goi\u00e1s&nbsp;(GO),&nbsp;que&nbsp;reconheceu a regularidade de v\u00ednculo trabalhista constante da&nbsp;Carteira de Trabalho e Previd\u00eancia Social&nbsp;(CTPS)&nbsp;do autor, bem como a especialidade do labor desempenhado nos per\u00edodos&nbsp;especificados, determinando ao INSS que proceda \u00e0 averba\u00e7\u00e3o de ambos os per\u00edodos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo&nbsp;o INSS,&nbsp;o ac\u00f3rd\u00e3o estaria&nbsp;em desconformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) e da 14\u00aa Turma Recursal de S\u00e3o Paulo&nbsp;(SP).&nbsp;A parte autora&nbsp;se op\u00f4s&nbsp;\u00e0&nbsp;decis\u00e3o&nbsp;que&nbsp;aplicou retroativamente o Decreto n.&nbsp;2.172\/1997 no ponto em que passou a prever aposentadoria aos 20 anos para trabalhos na superf\u00edcie com exposi\u00e7\u00e3o ao agente nocivo&nbsp;amianto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voto do relator&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar o caso, o relator do processo na TNU, juiz federal&nbsp;Luis&nbsp;Eduardo Bianchi Cerqueira, tra\u00e7ou um breve hist\u00f3rico legislativo referente ao amianto&nbsp;e pontuou&nbsp;que&nbsp;a discuss\u00e3o no ac\u00f3rd\u00e3o da Turma de origem e no presente incidente dizem respeito ao aparente conflito intertemporal de normas, o que delimita o debate.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso concreto, ainda que a previs\u00e3o legal de nocividade para a atividade desenvolvida pelo&nbsp;requerido somente tenha surgido no ordenamento nacional em 1997, com o Decreto&nbsp;n.&nbsp;2172, o fato de&nbsp;o Estado brasileiro haver assinado&nbsp;a Conven\u00e7\u00e3o de 1986, que tratava do mesmo tema e impunha uma obriga\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o de toda a legisla\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a da gravidade dos efeitos da exposi\u00e7\u00e3o do trabalhador ao amianto, em especial, o enorme risco de contrair c\u00e2ncer, \u00e9 algo que deve ser considerado, para excetuar o&nbsp;princ\u00edpio&nbsp;tempus&nbsp;regit&nbsp;actum&nbsp;(o tempo rege o ato)\u201d, declarou o magistrado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;juiz federal&nbsp;ainda&nbsp;ressaltou&nbsp;que diversas turmas recursais t\u00eam utilizado esse entendimento e que,&nbsp;conforme&nbsp;tais&nbsp;precedentes, n\u00e3o apenas deve ser reconhecida como nociva a exposi\u00e7\u00e3o no trabalho ao amianto\/asbesto, mesmo que em trabalhos de superf\u00edcie, como o fator de convers\u00e3o deve ser o 1,75, que concede aposentadoria especial com 20 anos, porque assim estabelecia o Decreto&nbsp;n.&nbsp;3048\/1999, sobre a aplica\u00e7\u00e3o retroativa dos fatores de convers\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o juiz federal&nbsp;votou por negar provimento ao incidente proposto pelo INSS, fixando para o&nbsp;Tema&nbsp;287 a seguinte tese: \u201cO&nbsp;Decreto&nbsp;n.&nbsp;2.172\/1997 deve ser aplicado tamb\u00e9m retroativamente, para permitir aposentadoria com&nbsp;20&nbsp;anos de trabalho, em superf\u00edcie, com exposi\u00e7\u00e3o ao agente nocivo amianto, para v\u00ednculos laborais ocorridos anteriormente \u00e0 sua vig\u00eancia&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voto vencedor&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o voto vencedor foi o&nbsp;apresentado pelo&nbsp;juiz federal&nbsp;David Wilson de Abreu Pardo, que divergiu parcialmente do relator.&nbsp;Segundo o magistrado, n\u00e3o est\u00e1 verdadeiramente sob controv\u00e9rsia o reconhecimento do per\u00edodo como tempo especial, mesmo antes do Decreto&nbsp;n.&nbsp;2.172\/1999, mas sim,&nbsp;saber qual o fator de convers\u00e3o do tempo especial laborado antes do Decreto&nbsp;n.&nbsp;2.172\/1997,&nbsp;cujo requerimento administrativo foi formulado apenas&nbsp;posteriormente \u00e0 sua edi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz federal destacou&nbsp;que&nbsp;o pr\u00f3prio INSS j\u00e1 reconheceu a quest\u00e3o,&nbsp;considerando que, \u201cna convers\u00e3o do tempo especial em comum dever\u00e1 ser aplicado o fator de convers\u00e3o vigente \u00e0 \u00e9poca em que requerido o benef\u00edcio\u201d. Tal entendimento&nbsp;est\u00e1 em&nbsp;sintonia com&nbsp;a jurisprud\u00eancia do&nbsp;STJ (Temas 422 e 423), da S\u00famula 55 da TNU e do&nbsp;Enunciado 80\/2015 da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso concreto, como dito, o pedido de reconhecimento do tempo como especial pelo fator 1,75 foi feito em 19\/11\/2015, ao tempo, portanto, em que vigoravam a norma dos 20 anos (fator 1,75) e a regra do art. 70, \u00a7 2\u00ba, Decreto&nbsp;n.&nbsp;3.048\/1999. Enfim, como tamb\u00e9m alega o INSS nos Memoriais, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de retroa\u00e7\u00e3o de norma para o reconhecimento especial do per\u00edodo anterior ao Decreto&nbsp;n.&nbsp;2.172\/1997. E para adotar o fator de convers\u00e3o 1,75 para homem (e 1,5 para mulher) no caso basta considerar que a lei aplic\u00e1vel \u00e9 aquela em vigor na&nbsp;Data de Entrada do Requerimento (DER)\u201d, destacou o&nbsp;juiz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pedilef&nbsp;n.&nbsp;0023252-47.2017.4.01.3500\/GO&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CJF 02.09.2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o se aplica a requerimentos administrativos feitos a partir da edi\u00e7\u00e3o do Decreto n. 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