{"id":1843,"date":"2021-11-30T07:30:00","date_gmt":"2021-11-30T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=1843"},"modified":"2021-11-29T15:36:35","modified_gmt":"2021-11-29T18:36:35","slug":"para-terceira-turma-doacao-de-imovel-superior-a-30-salarios-minimos-exige-escritura-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/11\/30\/para-terceira-turma-doacao-de-imovel-superior-a-30-salarios-minimos-exige-escritura-publica\/","title":{"rendered":"Para Terceira Turma, doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel superior a 30 sal\u00e1rios m\u00ednimos exige escritura p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>\u200bA doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel de valor superior a 30 vezes o maior sal\u00e1rio m\u00ednimo do pa\u00eds deve ser feita por escritura p\u00fablica. Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reformou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso do Sul (TJMS) segundo o qual a doa\u00e7\u00e3o, nessas condi\u00e7\u00f5es, poderia ser formalizada tamb\u00e9m por contrato particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros deram parcial provimento ao recurso em que uma empresa buscava afastar a exig\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o de uma arena cultural em im\u00f3vel que lhe foi doado \u2013 encargo que constava inicialmente do contrato particular de doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na escritura p\u00fablica lavrada para aperfei\u00e7oar o neg\u00f3cio, a doa\u00e7\u00e3o foi descrita como pura e simples \u2013 ou seja, livre de condi\u00e7\u00f5es ou encargos. Na sequ\u00eancia, as partes estabeleceram um aditivo contratual particular, por meio do qual foi retificado o instrumento original para que a doa\u00e7\u00e3o constasse como pura e simples, afastando-se o encargo. No entanto, a empresa doadora pediu em ju\u00edzo a revoga\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o, alegando que a donat\u00e1ria n\u00e3o cumpriu a obriga\u00e7\u00e3o de construir a arena cultural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">D\u00favidas sobre a declara\u00e7\u00e3o de vontade da doadora<\/h2>\n\n\n\n<p>Em primeiro grau, o pedido foi julgado improcedente, sob o fundamento de que o instrumento particular n\u00e3o poderia prevalecer sobre a escritura p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O TJMS reformou a senten\u00e7a e revogou a doa\u00e7\u00e3o, entendendo que a transfer\u00eancia do im\u00f3vel poderia ter sido formalizada por contrato particular, conforme o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art541\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 541 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013 que permite \u00e0s partes escolherem a forma a ser utilizada no ato. Para a corte local, esse dispositivo, por ser norma especial, prevaleceria sobre a regra geral do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art108\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 108 do CC<\/strong><\/a>, o qual exige escritura p\u00fablica para neg\u00f3cios que tenham como objeto im\u00f3veis de valor acima de 30 sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o TJMS considerou haver d\u00favida sobre a declara\u00e7\u00e3o de vontade da doadora, de maneira que a interpreta\u00e7\u00e3o deveria ser favor\u00e1vel a ela, a fim de prestigiar a boa-f\u00e9 e a fun\u00e7\u00e3o social do contrato, principalmente em vista do alto valor atribu\u00eddo ao im\u00f3vel (R$ 2 milh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aus\u00eancia de conflito de normas<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, relator do recurso, a possibilidade de o doador e o donat\u00e1rio escolherem como formalizar a doa\u00e7\u00e3o deve ser interpretada de acordo com as diretrizes da parte geral do C\u00f3digo Civil, as quais preveem que a declara\u00e7\u00e3o de vontade n\u00e3o depender\u00e1 de forma especial, sen\u00e3o quando a lei o exigir (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art107\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 107<\/strong><\/a>), e que o neg\u00f3cio poder\u00e1 ser celebrado mediante instrumento p\u00fablico por interesse das partes, no sil\u00eancio da lei (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art109\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 109<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, para o magistrado, em uma interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos artigos 107, 108, 109 e 541 do C\u00f3digo Civil, doa\u00e7\u00f5es como a discutida no recurso (de im\u00f3veis de mais de 30 sal\u00e1rios m\u00ednimos) devem ser efetivadas mediante escritura p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relator, diferentemente do que entendeu o TJMS, n\u00e3o h\u00e1 como aplicar o princ\u00edpio da especialidade, pois este pressup\u00f5e um aparente conflito de normas \u2013 o qual n\u00e3o existe no caso, pois ambas as regras coexistem harmonicamente, impondo-se apenas uma adequada interpreta\u00e7\u00e3o sobre elas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Efetiva vontade das partes e princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva<\/h2>\n\n\n\n<p>O magistrado observou que, no caso dos autos, a real inten\u00e7\u00e3o das partes era a celebra\u00e7\u00e3o de uma doa\u00e7\u00e3o sem \u00f4nus \u00e0 donat\u00e1ria, pois &#8220;assim constou da escritura p\u00fablica e foi confirmado, posteriormente, pelo aditivo ao instrumento particular&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em interpreta\u00e7\u00e3o restritiva das cl\u00e1usulas contratuais (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art114\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 114 do CC<\/strong><\/a>), Bellizze concluiu que a doa\u00e7\u00e3o foi pura e simples, o que justifica o restabelecimento da senten\u00e7a que julgou improcedente o pedido de revoga\u00e7\u00e3o por inexecu\u00e7\u00e3o de encargo \u2013 &#8220;sobretudo diante do teor do instrumento p\u00fablico (forma indispens\u00e1vel para a concretiza\u00e7\u00e3o do contrato), que n\u00e3o apenas \u00e9 silente a respeito da imposi\u00e7\u00e3o de encargo como prev\u00ea explicitamente o car\u00e1ter puro e simples da doa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2101462&amp;num_registro=202002542977&amp;data=20210930&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no\u00a0REsp 1.938.997<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;processo(s):<a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201938997\" class=\"\">REsp 1938997<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bA doa\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel de valor superior a 30 vezes o maior sal\u00e1rio m\u00ednimo 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