{"id":2179,"date":"2022-03-03T18:00:10","date_gmt":"2022-03-03T21:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=2179"},"modified":"2022-03-03T18:00:46","modified_gmt":"2022-03-03T21:00:46","slug":"terceira-turma-afasta-exigencia-de-sobrepartilha-de-imovel-doado-aos-filhos-com-usufruto-para-o-ex-casal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2022\/03\/03\/terceira-turma-afasta-exigencia-de-sobrepartilha-de-imovel-doado-aos-filhos-com-usufruto-para-o-ex-casal\/","title":{"rendered":"Terceira Turma afasta exig\u00eancia de sobrepartilha de im\u00f3vel doado aos filhos com usufruto para o ex-casal"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) afastou a necessidade de sobrepartilha \u2013 determinada pelo Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) \u2013 na discuss\u00e3o sobre um im\u00f3vel que foi doado aos netos com cl\u00e1usula de usufruto vital\u00edcio em favor dos pais, que se divorciaram. Para os ministros, em tal situa\u00e7\u00e3o, a sobrepartilha n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel, pois se trata de propriedade dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>O recurso especial contra a decis\u00e3o do TJSP foi interposto no STJ pela ex-esposa, filha dos doadores do im\u00f3vel. Ao dar provimento ao recurso, o relator, ministro Villas B\u00f4as Cueva, afirmou que a sobrepartilha ocorre quando a divis\u00e3o dos bens no div\u00f3rcio j\u00e1 foi conclu\u00edda, &#8220;por\u00e9m uma das partes descobre que a outra possu\u00eda bens que n\u00e3o foram partilhados&#8221;. Esse, por\u00e9m, n\u00e3o era o caso dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-marido, com base no direito de usufruto, pleiteou judicialmente a metade da quantia recebida pela ex-esposa com o aluguel de parte do im\u00f3vel. O pedido foi ajuizado 21 anos ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o de fato do casal, que se deu em 1994. No div\u00f3rcio, cujo acordo foi homologado em 2002, n\u00e3o foram fixados alimentos, e o ex-marido \u2013 que havia sa\u00eddo de casa na separa\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o manifestou pretens\u00e3o alguma em rela\u00e7\u00e3o ao direito de usufruto sobre o im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Decad\u00eancia do direito de usufruto<\/h2>\n\n\n\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, o pedido foi negado, sob o entendimento de que a n\u00e3o frui\u00e7\u00e3o do bem pelo ex-marido causou a extin\u00e7\u00e3o do usufruto, ainda que este fosse vital\u00edcio. O TJSP manteve a senten\u00e7a, mas por fundamento diferente: para o tribunal, deveria ser feita a sobrepartilha do im\u00f3vel, tendo em vista se tratar de patrim\u00f4nio comum n\u00e3o partilhado na ocasi\u00e3o do div\u00f3rcio \u2013 aplicando-se, por analogia, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L5869impressao.htm#art1040\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.040 do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973<\/strong><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Villas B\u00f4as Cueva, a in\u00e9rcia do ex-marido \u2013 como apontado pelo juiz de primeiro grau \u2013 em exercer o direito alegado por tanto tempo, sem buscar participar do gerenciamento do im\u00f3vel, levou \u00e0 decad\u00eancia do seu direito de usufruto.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator registrou que o ex-marido n\u00e3o contribuiu, ap\u00f3s o div\u00f3rcio, com o pagamento dos impostos e das despesas de conserva\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1403\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.403 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>), o que configura a situa\u00e7\u00e3o de abandono prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1410VII\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.410, inciso VII, do CC<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013 uma das causas de extin\u00e7\u00e3o do usufruto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A vitaliciedade n\u00e3o significa que o usufruto seja eternizado, pois, segundo o artigo 1.410, inciso VIII, do CC, o n\u00e3o uso ou frui\u00e7\u00e3o do bem \u00e9 causa de extin\u00e7\u00e3o do usufruto&#8221;, observou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Incab\u00edvel sobrepartilha entre n\u00e3o propriet\u00e1rios<\/h2>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 sobrepartilha, o ministro afirmou que o TJSP adotou intepreta\u00e7\u00e3o equivocada ao determin\u00e1-la por aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do artigo 1.040 do CPC\/1973,<strong>&nbsp;<\/strong>porque a exist\u00eancia do im\u00f3vel era conhecida do ex-marido, &#8220;que o abandonou por vontade pr\u00f3pria, ou seja, n\u00e3o houve desconhecimento ou oculta\u00e7\u00e3o do bem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, segundo o relator, seria imposs\u00edvel que o ex-c\u00f4njuge abrisse m\u00e3o de parte do bem no momento da separa\u00e7\u00e3o judicial, convencionando a sua partilha com a ex-esposa, pois ele n\u00e3o \u00e9 propriet\u00e1rio do im\u00f3vel. Sobre esse ponto, o ministro ainda ressaltou que, conforme o artigo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1668I\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>1.668, inciso I, do CC<\/strong><\/a>, os bens doados s\u00e3o exclu\u00eddos da comunh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso analisado, &#8220;o usufruto vital\u00edcio e sucessivo estipulado pelos doadores do im\u00f3vel foi respeitado pela recorrente e pelos donat\u00e1rios, por\u00e9m abandonado pelo recorrido at\u00e9 sua extin\u00e7\u00e3o, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o vigente&#8221; \u2013 concluiu o magistrado ao restabelecer integralmente a senten\u00e7a de primeiro grau.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2108764&amp;num_registro=201700206277&amp;data=20211021&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no\u00a0REsp 1.651.270<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)\u00a0processo(s):<a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201651270\">REsp 1651270<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 02.03.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) afastou a necessidade de sobrepartilha \u2013&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2181,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[28],"tags":[1257,1637,1638],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=867%2C1300&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=867%2C1300&ssl=1",867,1300,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=200%2C300&ssl=1",200,300,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=640%2C960&ssl=1",640,960,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=640%2C960&ssl=1",640,960,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=867%2C1300&ssl=1",867,1300,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=867%2C1300&ssl=1",867,1300,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?resize=608%2C715&ssl=1",608,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?resize=483%2C500&ssl=1",483,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?fit=867%2C1300&ssl=1",867,1300,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?resize=540%2C285&ssl=1",540,285,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/pexels-photo-5669619.jpeg?resize=375%2C250&ssl=1",375,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a 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