{"id":2651,"date":"2022-06-21T16:13:00","date_gmt":"2022-06-21T19:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=2651"},"modified":"2022-06-21T20:15:44","modified_gmt":"2022-06-21T23:15:44","slug":"ex-companheiro-ficar-no-imovel-com-os-filhos-do-casal-nao-afasta-direito-do-outro-a-extincao-do-condominio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2022\/06\/21\/ex-companheiro-ficar-no-imovel-com-os-filhos-do-casal-nao-afasta-direito-do-outro-a-extincao-do-condominio\/","title":{"rendered":"Ex-companheiro ficar no im\u00f3vel com os filhos do casal n\u00e3o afasta direito do outro \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio"},"content":{"rendered":"\n<p>\u200bA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que o fato de um dos ex-companheiros residir com os filhos no antigo im\u00f3vel do casal, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 causa suficiente para afastar o direito do outro \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o colegiado reformou&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) para permitir que o autor da a\u00e7\u00e3o venda o im\u00f3vel comum que possu\u00eda com a ex-companheira, adquirido mediante aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, ela ficou respons\u00e1vel pelo pagamento das presta\u00e7\u00f5es do financiamento e continuou residindo no im\u00f3vel com as duas filhas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor ajuizou a a\u00e7\u00e3o para vender o im\u00f3vel e para receber da antiga companheira os alugu\u00e9is pelo uso exclusivo do bem. O ju\u00edzo de primeiro grau determinou a aliena\u00e7\u00e3o, cujo produto deveria ser dividido igualmente entre os dois, e condenou a mulher a pagar os alugu\u00e9is referentes \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel pertencente ao ex-companheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o TJPR, em nome do direito constitucional \u00e0 moradia, afastou a possibilidade de aliena\u00e7\u00e3o dos direitos relativos ao im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Separa\u00e7\u00e3o imp\u00f5e perda de padr\u00e3o de vida<\/h2>\n\n\n\n<p>O relator do caso, ministro Paulo de Tarso Sanseverino, afirmou que o TJPR concluiu pela preval\u00eancia dos interesses sociais advindos do direito de fam\u00edlia, notadamente o direito constitucional \u00e0 moradia, em rela\u00e7\u00e3o ao direito de extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, contudo, o&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;merece reforma nesse ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o ministro, o tribunal estadual entendeu que a ex-companheira teria preju\u00edzos com a aliena\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 titular de apenas 50% dos direitos do im\u00f3vel e n\u00e3o conseguiria comprar outro do mesmo padr\u00e3o apenas com os recursos da venda. &#8220;Constitui fato not\u00f3rio que, nos processos de separa\u00e7\u00e3o ou div\u00f3rcio, h\u00e1 uma natural perda do padr\u00e3o de vida para todos os membros da fam\u00edlia, procurando-se apenas estabelecer paliativos para equalizar essas perdas&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Direito de dispor do bem \u00e9 inerente \u00e0 propriedade<\/h2>\n\n\n\n<p>O ministro lembrou o entendimento do STJ segundo o qual \u00e9 direito potestativo do cond\u00f4mino promover a extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio sobre bem im\u00f3vel indivis\u00edvel, mediante aliena\u00e7\u00e3o judicial. Aliado a isso, ele ressaltou que o C\u00f3digo Civil, em seu&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1320\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.320<\/strong><\/a>, estabelece que \u00e9 l\u00edcito ao cond\u00f4mino, a qualquer tempo, exigir a divis\u00e3o da coisa comum.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator tamb\u00e9m verificou nos autos que o bem est\u00e1 na posse da ex-companheira h\u00e1 mais de quatro anos e, mesmo sendo anunciado para venda durante todo esse per\u00edodo, por motivos n\u00e3o esclarecidos no processo, n\u00e3o foi fechado nenhum neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o do tempo decorrido, Sanseverino considerou n\u00e3o ser razo\u00e1vel indeferir o pedido de aliena\u00e7\u00e3o judicial, tendo em vista que a utiliza\u00e7\u00e3o exclusiva por parte da mulher impede seu ex-companheiro de dispor do im\u00f3vel. O entendimento adotado pelo TJPR \u2013 avaliou o ministro \u2013 retirou do autor da a\u00e7\u00e3o um dos atributos inerentes ao direito de propriedade, privando-o da possibilidade de dispor do bem que lhe pertence.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cada cond\u00f4mino responde aos outros pelos frutos que recebeu do bem<\/h2>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao aluguel que seria devido pela moradora do im\u00f3vel, o relator ressaltou que a jurisprud\u00eancia do STJ se orienta no sentido de que, enquanto n\u00e3o dividido o im\u00f3vel, a propriedade do casal sobre o bem remanesce, sob as regras que regem o instituto do condom\u00ednio, notadamente aquela que estabelece que cada cond\u00f4mino responde aos outros pelos frutos que percebeu da coisa, nos termos do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1319\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.319 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se apenas um dos cond\u00f4minos reside no im\u00f3vel, abre-se a via da indeniza\u00e7\u00e3o, mediante o pagamento de alugueres, \u00e0quele que se encontra privado da frui\u00e7\u00e3o da coisa&#8221;, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, contudo, no momento da dissolu\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o est\u00e1vel foi combinado que a mulher ficaria residindo no im\u00f3vel, sem a necessidade de pagar por isso, at\u00e9 a venda do bem \u2013 o que, segundo o ministro, impede a cobran\u00e7a de aluguel.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=153196324&amp;registro_numero=201903689849&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20220513&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.852.807<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>STF 17.06.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se apenas um dos cond\u00f4minos reside no im\u00f3vel, abre-se a via da indeniza\u00e7\u00e3o, mediante o pagamento de alugueres, \u00e0quele que se encontra privado da frui\u00e7\u00e3o da coisa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2653,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[11],"tags":[1933,236,1063,1932,861],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=300%2C200&ssl=1",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=640%2C427&ssl=1",640,427,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=640%2C426&ssl=1",640,426,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=1536%2C1024&ssl=1",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?resize=1115%2C715&ssl=1",1115,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?resize=800%2C500&ssl=1",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?fit=1024%2C682&ssl=1",1024,682,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?resize=540%2C340&ssl=1",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pexels-photo-106399.jpeg?resize=400%2C250&ssl=1",400,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/advogado-sp\/\" rel=\"category tag\">advogado sp<\/a>","tag_info":"advogado sp","comment_count":"0","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2651"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2677,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651\/revisions\/2677"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}