{"id":2742,"date":"2022-07-19T07:06:00","date_gmt":"2022-07-19T10:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=2742"},"modified":"2022-07-21T14:28:59","modified_gmt":"2022-07-21T17:28:59","slug":"entidade-fechada-de-previdencia-nao-pode-cobrar-juros-como-se-fosse-banco-ao-emprestar-para-beneficiarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2022\/07\/19\/entidade-fechada-de-previdencia-nao-pode-cobrar-juros-como-se-fosse-banco-ao-emprestar-para-beneficiarios\/","title":{"rendered":"Entidade fechada de previd\u00eancia n\u00e3o pode cobrar juros como se fosse banco ao emprestar para benefici\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p>Para a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), entidades fechadas de previd\u00eancia privada n\u00e3o se equiparam a institui\u00e7\u00f5es financeiras; por isso, caso concedam empr\u00e9stimos a seus benefici\u00e1rios, n\u00e3o podem cobrar juros capitalizados \u2013 a n\u00e3o ser na periodicidade anual e desde que a capitaliza\u00e7\u00e3o tenha sido expressamente pactuada entre as partes ap\u00f3s a entrada em vigor do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>O colegiado, por maioria, firmou esse entendimento ao dar&nbsp;provimento&nbsp;ao&nbsp;recurso especial&nbsp;interposto por um benefici\u00e1rio que, ap\u00f3s tomar empr\u00e9stimos com uma entidade de previd\u00eancia complementar fechada, ajuizou a\u00e7\u00e3o para a revis\u00e3o dos contratos, alegando que a entidade promoveu a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros mensalmente, de maneira velada \u2013 o que n\u00e3o teria sido contratado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios (TJDFT) considerou que as entidades fechadas de previd\u00eancia privada seriam equiparadas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras para celebrar contratos de m\u00fatuo com seus participantes, e, assim, seria admitida a incid\u00eancia da capitaliza\u00e7\u00e3o mensal de juros quando pactuada.<\/p>\n\n\n\n<p>No recurso submetido ao STJ, o autor da a\u00e7\u00e3o alegou que a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp109.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lei Complementar 109\/2001<\/strong><\/a>, que distinguiu as esp\u00e9cies de entidades de previd\u00eancia complementar aberta e fechada, derrogou o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8177.htm#art29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 29 da Lei 8.177\/1991<\/strong><\/a>&nbsp;na parte em que igualava as entidades fechadas a institui\u00e7\u00f5es financeiras, de modo que essa equipara\u00e7\u00e3o foi mantida apenas para as abertas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entidades fechadas de previd\u00eancia n\u00e3o integram o Sistema Financeiro Nacional<\/h2>\n\n\n\n<p>O ministro Marco Buzzi, cujo voto prevaleceu no julgamento, lembrou que a S\u00famula 563 do STJ disp\u00f5e que o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre a entidade fechada de previd\u00eancia e seus participantes, pois seu patrim\u00f4nio e seus rendimentos revertem-se integralmente no pagamento de benef\u00edcios, caracterizando-se pelo associativismo e pelo mutualismo \u2013 o que afasta o intuito lucrativo e a natureza comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, afirmou, \u00e9 &#8220;invi\u00e1vel equiparar as entidades fechadas de previd\u00eancia complementar a institui\u00e7\u00f5es financeiras, pois, em virtude de n\u00e3o integrarem o Sistema Financeiro Nacional, t\u00eam a destina\u00e7\u00e3o prec\u00edpua de dar prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria aos seus participantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do magistrado, eventuais empr\u00e9stimos de dinheiro concedidos pela institui\u00e7\u00e3o aos benefici\u00e1rios n\u00e3o podem ser admitidos nos moldes daqueles realizados pelos bancos, j\u00e1 que os valores alocados ao fundo comum, na verdade, pertencem aos participantes do plano, existindo expl\u00edcito mecanismo de solidariedade, de modo que todo excedente do fundo de pens\u00e3o \u00e9 aproveitado em favor de seus integrantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Se contratada, capitaliza\u00e7\u00e3o de juros deve ser anual<\/h2>\n\n\n\n<p>Marco Buzzi afirmou que, nesses empr\u00e9stimos, \u00e9 ileg\u00edtima a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal, e que as entidades fechadas apenas est\u00e3o autorizadas a capitalizar os juros na periodicidade anual, desde que o encargo tenha sido pactuado na vig\u00eancia do C\u00f3digo Civil de 2002, pois s\u00e3o legalmente proibidas de ter fins lucrativos (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp109.htm#art31\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 31, par\u00e1grafo 1\u00ba, da LC 109\/2001<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado explicou que, segundo o C\u00f3digo Civil, os juros remunerat\u00f3rios, quando n\u00e3o convencionados entre as partes, dever\u00e3o ser fixados nos termos da taxa que estiver em vigor para o pagamento de impostos da Fazenda Nacional (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art406\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 406<\/strong><\/a>), permitindo-se, contudo, a capitaliza\u00e7\u00e3o anual (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art591\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 591<\/strong><\/a>). Nesse sentido, observou, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l5172.htm#art161\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 161, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei 5.172\/1966<\/strong><\/a>&nbsp;estabeleceu a taxa de 1% ao m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro tamb\u00e9m ressaltou que, em raz\u00e3o de n\u00e3o serem institui\u00e7\u00f5es financeiras, essas entidades se submetem \u00e0 Lei de Usura (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/d22626.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Decreto 22.626\/1933<\/strong><\/a>), a qual veda a estipula\u00e7\u00e3o de taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/d22626.htm#art1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1\u00ba<\/strong><\/a>), bem como a contagem de juros sobre juros (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/d22626.htm#art4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 4\u00ba<\/strong><\/a>), salvo a anual, se expressamente pactuada.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em julgamento, ele concluiu que, como as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias n\u00e3o constataram a expressa contrata\u00e7\u00e3o da capitaliza\u00e7\u00e3o de juros, \u00e9 invi\u00e1vel a sua cobran\u00e7a pela entidade de previd\u00eancia fechada.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2030058&amp;num_registro=201903831559&amp;data=20220630&amp;formato=PDF\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no&nbsp;REsp 1.854.818<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>STJ 11.07.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00e9 ileg\u00edtima a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal 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