{"id":2900,"date":"2022-08-09T19:23:00","date_gmt":"2022-08-09T22:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=2900"},"modified":"2022-08-08T20:43:01","modified_gmt":"2022-08-08T23:43:01","slug":"cliente-que-comprou-carro-zero-com-defeito-e-o-revendeu-recebera-diferenca-entre-valor-do-novo-e-preco-de-revenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2022\/08\/09\/cliente-que-comprou-carro-zero-com-defeito-e-o-revendeu-recebera-diferenca-entre-valor-do-novo-e-preco-de-revenda\/","title":{"rendered":"Cliente que comprou carro zero com defeito e o revendeu receber\u00e1 diferen\u00e7a entre valor do novo e pre\u00e7o de revenda"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que o valor a ser restitu\u00eddo ao consumidor em virtude da aquisi\u00e7\u00e3o de carro zero-quil\u00f4metro com v\u00edcio, na hip\u00f3tese em que o produto \u00e9, posteriormente, revendido a terceiro, deve corresponder \u00e0 diferen\u00e7a entre o valor de um ve\u00edculo equivalente na data da aliena\u00e7\u00e3o a terceiros e o valor recebido na revenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o colegiado negou recurso no qual uma concession\u00e1ria argumentou que o valor a ser restitu\u00eddo ao consumidor, nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o, deveria considerar tamb\u00e9m o per\u00edodo no qual o ve\u00edculo continuou sendo utilizado. A empresa alegou ainda que, em casos de v\u00edcio no produto, a responsabilidade das concession\u00e1rias \u00e9 subsidi\u00e1ria, por se tratar de comerciante.<\/p>\n\n\n\n<p>O recurso teve origem em uma a\u00e7\u00e3o ajuizada por uma consumidora que pleiteou a substitui\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo por outro da mesma esp\u00e9cie, em perfeitas condi\u00e7\u00f5es de uso, em raz\u00e3o de diversos defeitos apresentados no carro, de forma intermitente.<\/p>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo de primeiro grau determinou a substitui\u00e7\u00e3o do carro por outro da mesma esp\u00e9cie, em perfeitas condi\u00e7\u00f5es de uso, bem como condenou a concession\u00e1ria e a fabricante por danos materiais e morais. Em virtude da aliena\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, antes do tr\u00e2nsito em julgado, o Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso converteu a obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">CDC imp\u00f5e a substitui\u00e7\u00e3o por produto novo<\/h2>\n\n\n\n<p>A relatora, ministra Nancy Andrighi, apontou que, se o consumidor adquiriu produto novo com v\u00edcio e o fornecedor resiste em cumprir com sua obriga\u00e7\u00e3o de repar\u00e1-lo \u2013 conforme disposto no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art18%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 18, par\u00e1grafo 1\u00ba, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC)<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013, prolongando a demanda judicial, n\u00e3o pode a demora ser imputada \u00e0 parte vulner\u00e1vel que foi obrigada a recorrer ao Poder Judici\u00e1rio para ter seus direitos respeitados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tampouco h\u00e1 que se falar, nesse cen\u00e1rio, em eventual desconto do valor referente ao per\u00edodo em que o produto continuou sendo utilizado pelo consumidor, pois, \u00e0 toda evid\u00eancia, pelo mesmo lapso de tempo, tamb\u00e9m o fornecedor teve \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o o valor desembolsado pelo consumidor para a aquisi\u00e7\u00e3o do produto, podendo dele fazer uso como entendesse mais adequado&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, a relatora ponderou que, em raz\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, a consumidora j\u00e1 foi parcialmente restitu\u00edda da quantia que gastou para adquirir o ve\u00edculo viciado, de modo que a restitui\u00e7\u00e3o dever\u00e1 corresponder \u00e0 diferen\u00e7a entre o valor de um produto novo na data da aliena\u00e7\u00e3o a terceiros e o valor recebido nesta transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Responsabilidade por v\u00edcio e defeito no produto<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a ministra, o sistema criado pelo CDC trabalha com as no\u00e7\u00f5es de responsabilidade pelo fato do produto ou servi\u00e7o e de responsabilidade pelo v\u00edcio do produto ou servi\u00e7o. Ela explicou que um produto ou servi\u00e7o apresentar\u00e1 defeito de seguran\u00e7a quando, al\u00e9m de n\u00e3o corresponder \u00e0 expectativa do consumidor, sua utiliza\u00e7\u00e3o ou frui\u00e7\u00e3o for capaz de criar riscos \u00e0 sua incolumidade ou de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, completou, s\u00e3o considerados v\u00edcios as caracter\u00edsticas de qualidade ou quantidade que tornem os produtos ou servi\u00e7os impr\u00f3prios ou inadequados ao consumo a que se destinam e que lhes diminuam o valor.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessas distin\u00e7\u00f5es, a relatora concluiu que a responsabilidade pelo fato do produto ou servi\u00e7o decorre da caracteriza\u00e7\u00e3o de um v\u00edcio grave, isto \u00e9, de um defeito. Nesse caso, o CDC estabelece, no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 13<\/strong><\/a>, a responsabilidade apenas subsidi\u00e1ria do comerciante.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a responsabilidade pelo v\u00edcio, afirmou a ministra, decorre da caracteriza\u00e7\u00e3o de um v\u00edcio menos grave, circunscrito ao produto ou servi\u00e7o em si, sendo-lhe inerente ou intr\u00ednseco. De acordo com a relatora, em raz\u00e3o de o CDC n\u00e3o fazer qualquer distin\u00e7\u00e3o entre os fornecedores, o entendimento \u00e9 de que toda a cadeia produtiva \u00e9 solidariamente respons\u00e1vel, inclusive o comerciante.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, a ministra verificou que, ao lado da responsabilidade pelo v\u00edcio do produto \u2013 em que h\u00e1 a responsabilidade solid\u00e1ria \u2013, h\u00e1, igualmente, a responsabilidade pelo fato do servi\u00e7o, consubstanciada na m\u00e1 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o e reparo, que ocasionou ofensa tanto patrimonial quanto extrapatrimonial \u00e0 consumidora.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2147090&amp;num_registro=202103139047&amp;data=20220321&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.982.739<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>STJ 05.08.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ju\u00edzo de primeiro grau determinou a substitui\u00e7\u00e3o do carro por outro da mesma 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