{"id":2925,"date":"2022-08-15T21:04:48","date_gmt":"2022-08-16T00:04:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=2925"},"modified":"2022-08-15T21:29:26","modified_gmt":"2022-08-16T00:29:26","slug":"inalienabilidade-temporaria-exclui-imovel-da-partilha-quando-ha-separacao-de-fato-durante-prazo-restritivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2022\/08\/15\/inalienabilidade-temporaria-exclui-imovel-da-partilha-quando-ha-separacao-de-fato-durante-prazo-restritivo\/","title":{"rendered":"Inalienabilidade tempor\u00e1ria exclui im\u00f3vel da partilha quando h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o de fato durante prazo restritivo"},"content":{"rendered":"\n<p>\u200bPara a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o im\u00f3vel com cl\u00e1usula de inalienabilidade tempor\u00e1ria n\u00e3o entra na partilha de bens do div\u00f3rcio de um casal que se separou de fato durante o prazo restritivo, sendo indiferente se a senten\u00e7a de div\u00f3rcio foi proferida ap\u00f3s esse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o colegiado negou&nbsp;provimento&nbsp;ao recurso de uma mulher que pretendia incluir na partilha do div\u00f3rcio o im\u00f3vel no qual residia com o ex-marido. O bem foi doado a ele em 2006, com registro em cart\u00f3rio em 2009, mas com expressa proibi\u00e7\u00e3o de permuta, cess\u00e3o, aluguel, venda ou qualquer outra forma de repasse pelo prazo de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao STJ, a recorrente alegou que, quando a senten\u00e7a de div\u00f3rcio foi proferida, em setembro de 2016, o prazo de dez anos da cl\u00e1usula de inalienabilidade j\u00e1 havia transcorrido, e o im\u00f3vel tinha passado a integrar o patrim\u00f4nio comum do casal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bem doado com cl\u00e1usula de inalienabilidade \u00e9 patrim\u00f4nio particular do donat\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>O relator, ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, explicou que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1668\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.668<\/strong>&nbsp;<strong>do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>&nbsp;prev\u00ea os casos de bens que s\u00e3o considerados particulares mesmo no regime da comunh\u00e3o universal; no inciso I, exclui da comunh\u00e3o os &#8220;bens doados ou herdados com a cl\u00e1usula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relator, nessa hip\u00f3tese, o donat\u00e1rio n\u00e3o pode praticar nenhum ato de disposi\u00e7\u00e3o pelo qual o bem passe \u00e0 titularidade de outra pessoa, &#8220;e \u00e9 exatamente em decorr\u00eancia dessa mutila\u00e7\u00e3o ao direito de propriedade (perda do poder de dispor) que o bem doado gravado com cl\u00e1usula de inalienabilidade configura um bem particular do donat\u00e1rio e n\u00e3o integra o patrim\u00f4nio partilh\u00e1vel no regime da comunh\u00e3o universal de bens&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento, ressaltou, foi cristalizado na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/jurisprudencia\/menuSumarioSumulas.asp?sumula=3366\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>S\u00famula 49 do Supremo Tribunal Federal<\/strong><\/a>, segundo a qual &#8220;a cl\u00e1usula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Separa\u00e7\u00e3o de fato \u00e9 hip\u00f3tese informal de dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade conjugal<\/h2>\n\n\n\n<p>No caso em an\u00e1lise, o ministro verificou que o casamento ocorreu em 20 de maio de 2012, sob o regime de comunh\u00e3o universal, e que o casal est\u00e1 separado desde mar\u00e7o de 2013, sem possibilidade de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Bellizze lembrou que a extin\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo conjugal se d\u00e1 pela invalidade do casamento, pela morte de um dos c\u00f4njuges ou pelo div\u00f3rcio, de modo que, a partir desses marcos, n\u00e3o mais persistem os efeitos do matrim\u00f4nio. Al\u00e9m disso, observou, no caso de separa\u00e7\u00e3o de fato \u2013 hip\u00f3tese informal de dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade conjugal \u2013, tamb\u00e9m incide, por analogia, a regra da separa\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1576\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.576 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>&nbsp;\u2013 que tem como um dos seus efeitos o fim da efic\u00e1cia do regime de bens.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relator, o STJ entende que os bens adquiridos durante a separa\u00e7\u00e3o de fato n\u00e3o s\u00e3o partilh\u00e1veis com a decreta\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Considerar como termo final do regime de bens a data da senten\u00e7a de div\u00f3rcio poderia gerar situa\u00e7\u00f5es inusitadas e injustas, j\u00e1 que, durante o lapso temporal compreendido entre o fim da sociedade conjugal e a senten\u00e7a de div\u00f3rcio, um dos c\u00f4njuges poderia adquirir outros bens com recursos pr\u00f3prios ou at\u00e9 mesmo com o esfor\u00e7o comum de um novo companheiro (haja vista o fim do dever de fidelidade e a possibilidade de constitui\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o est\u00e1vel), mas que seriam inclu\u00eddos na partilha de bens do relacionamento extinto&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese dos autos, o ministro apontou que a separa\u00e7\u00e3o de fato ocorreu quando ainda vigorava a cl\u00e1usula de inalienabilidade e, consequentemente, o im\u00f3vel doado n\u00e3o integrava o patrim\u00f4nio do casal, devendo, portanto, ser reconhecida a sua incomunicabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 15.08.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bPara a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o im\u00f3vel com cl\u00e1usula 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