{"id":3023,"date":"2022-09-13T07:40:00","date_gmt":"2022-09-13T10:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=3023"},"modified":"2022-09-07T17:06:44","modified_gmt":"2022-09-07T20:06:44","slug":"e-possivel-a-penhora-de-bem-de-familia-em-condominio-na-execucao-de-alugueis-entre-condominos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2022\/09\/13\/e-possivel-a-penhora-de-bem-de-familia-em-condominio-na-execucao-de-alugueis-entre-condominos\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel a penhora de bem de fam\u00edlia em condom\u00ednio na execu\u00e7\u00e3o de alugu\u00e9is entre cond\u00f4minos"},"content":{"rendered":"\n<p>A penhora de bem de fam\u00edlia mantido em condom\u00ednio \u00e9 poss\u00edvel, caso um dos cond\u00f4minos exer\u00e7a seu direito de executar os alugu\u00e9is fixados em ju\u00edzo pelo uso exclusivo do im\u00f3vel pelos demais cond\u00f4minos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por maioria, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou&nbsp;provimento&nbsp;ao recurso em que dois cond\u00f4minos alegaram que o im\u00f3vel no qual residiam n\u00e3o poderia ser penhorado, por se tratar de bem de fam\u00edlia. A adjudica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel foi determinada como consequ\u00eancia da falta de pagamento, pelos cond\u00f4minos moradores, dos alugu\u00e9is cobrados judicialmente pela outra cond\u00f4mina.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento, prevaleceu o entendimento da ministra Nancy Andrighi, para quem a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar os demais cond\u00f4minos pelo uso exclusivo gera d\u00e9bito oriundo de direito real, configurando-se como obriga\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>propter rem,&nbsp;<\/em>diante da qual se admite a penhora do bem de fam\u00edlia, conforme previsto no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8009.htm#art3iv\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 3\u00ba, IV, da Lei 8.009\/1990<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Condom\u00ednio \u00e9 a concorr\u00eancia de pretens\u00f5es e poderes sobre a mesma coisa<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a ministra, o condom\u00ednio designa comunh\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de um objeto. O ordenamento jur\u00eddico brasileiro, explicou, disp\u00f5e que todos os cond\u00f4minos possuem o direito de usar, gozar e dispor de sua unidade (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1314\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.314 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>); bem como s\u00e3o respons\u00e1veis pelas despesas do condom\u00ednio, na propor\u00e7\u00e3o de suas partes (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1315\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.315<\/strong><\/a>), e respondem aos outros pelos frutos que receberam da coisa e pelos danos que lhe causaram (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1319\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 1.319<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em discuss\u00e3o, a magistrada verificou que os moradores fazem uso exclusivo do im\u00f3vel condominial, o que lhes imp\u00f5e a obriga\u00e7\u00e3o de remunerar os demais pelos frutos obtidos individualmente. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode um dos cond\u00f4minos se valer da prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia para prejudicar os outros, os quais t\u00eam os mesmos direitos reais sobre o im\u00f3vel, na medida de suas fra\u00e7\u00f5es ideais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O condom\u00ednio, sob o prisma de direitos subjetivos, consiste em concorr\u00eancia de pretens\u00f5es e poderes sobre a mesma coisa. \u00c9 reuni\u00e3o de direitos reais de propriedade que se exercem sobre um \u00fanico bem. Adquire-se e perde-se pelos modos de aquisi\u00e7\u00e3o e perda da propriedade em geral para cada sujeito, embora se forme por meios especiais&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Natureza&nbsp;<em>propter rem<\/em>&nbsp;da d\u00edvida afasta a impenhorabilidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Conforme a ministra, o artigo 3\u00ba da Lei 8.009\/1990 \u00e9 taxativo ao relacionar as hip\u00f3teses em que n\u00e3o se aplica a prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia. No inciso IV, o dispositivo admite a penhora na cobran\u00e7a de impostos, predial ou territorial; e de taxas e contribui\u00e7\u00f5es devidas em fun\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do amplo debate a respeito da inclus\u00e3o da inadimpl\u00eancia de despesas condominiais como fator justific\u00e1vel da penhora de bem de fam\u00edlia, a ministra ressaltou que prevaleceu o entendimento pela sua admiss\u00e3o, tanto no STJ quanto no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Nancy Andrighi, predomina na jurisprud\u00eancia do STJ o entendimento de que a natureza&nbsp;<em>propter rem&nbsp;<\/em>da d\u00edvida fundamenta o afastamento da impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia. A ministra destacou que h\u00e1 tr\u00eas determinantes para a obriga\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>propter rem&nbsp;<\/em>recair sobre algu\u00e9m: a liga\u00e7\u00e3o da d\u00edvida com um determinado direito real, a situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do obrigado e a&nbsp;tipicidade&nbsp;que estabelece a conex\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o com o direito real.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Veda\u00e7\u00e3o do enriquecimento il\u00edcito<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Se apenas um dos cond\u00f4minos utiliza o bem de forma exclusiva, impedindo o usufruto comum do im\u00f3vel pelos demais cond\u00f4minos, surge o direito do outro de ser ressarcido, sob pena de enriquecimento il\u00edcito, em ofensa ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art884\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 884 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>. Logo, a posse exclusiva (uso e frui\u00e7\u00e3o), por um dos copropriet\u00e1rios, \u00e9 fonte de obriga\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria aos demais copropriet\u00e1rios, porque fundada no direito real de propriedade&#8221;, afirmou a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p>Nancy Andrighi observou que, se o cond\u00f4mino n\u00e3o tem como cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es, ele pode renunciar \u00e0 sua cota em favor dos demais, desvinculando-se da condi\u00e7\u00e3o de detentor de direito real, com o que se encerra sua obriga\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>propter rem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, o aluguel por uso exclusivo do bem configura-se como obriga\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>propter rem&nbsp;<\/em>e, por essa raz\u00e3o, enquadra-se nas exce\u00e7\u00f5es previstas no artigo 3\u00ba, IV, da Lei 8.009\/1990, que afastam a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=153792660&amp;registro_numero=201901821501&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20220520&amp;formato=PDF\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.888.863<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 06.09.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A penhora de bem de fam\u00edlia mantido em condom\u00ednio \u00e9 poss\u00edvel, caso um dos cond\u00f4minos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3041,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[11,28],"tags":[2193,1468,264,2192,178],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=300%2C200&ssl=1",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=640%2C427&ssl=1",640,427,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=640%2C426&ssl=1",640,426,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=1536%2C1024&ssl=1",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=1880%2C1253&ssl=1",1880,1253,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?resize=1115%2C715&ssl=1",1115,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?resize=800%2C500&ssl=1",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?fit=1024%2C682&ssl=1",1024,682,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?resize=540%2C340&ssl=1",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pexels-photo-6077326.jpeg?resize=400%2C250&ssl=1",400,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/advogado-sp\/\" rel=\"category tag\">advogado sp<\/a> <a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/atualidades-juridicas\/\" rel=\"category tag\">atualidades jur\u00eddicas<\/a>","tag_info":"atualidades jur\u00eddicas","comment_count":"0","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3023"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3023"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3042,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3023\/revisions\/3042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}