{"id":314,"date":"2020-06-24T20:59:00","date_gmt":"2020-06-24T23:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=314"},"modified":"2020-06-22T16:11:15","modified_gmt":"2020-06-22T19:11:15","slug":"trf1-mantem-indenizacao-a-mutuario-por-atraso-na-entrega-de-imovel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2020\/06\/24\/trf1-mantem-indenizacao-a-mutuario-por-atraso-na-entrega-de-imovel\/","title":{"rendered":"TRF1 mant\u00e9m indeniza\u00e7\u00e3o a mutu\u00e1rio por atraso na entrega de im\u00f3vel"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s n\u00e3o ter o im\u00f3vel entregue no prazo estabelecido em contrato assinado com a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF), uma consumidora ser\u00e1 indenizada por danos morais no valor de R$ 12.730,79, 20% do valor do im\u00f3vel. A decis\u00e3o \u00e9 da 5\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF1) que manteve a senten\u00e7a, da 11\u00aa Vara Federal da Bahia, que condenou a CEF ao pagamento e a construtora ao ressarcimento \u00e0 CEF dos valores da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es do processo atestam que a consumidora ingressou com a\u00e7\u00e3o pedindo repara\u00e7\u00e3o por danos causados pelo atraso na entrega do im\u00f3vel, que durou dois anos e 10 meses. Pelo contrato assinado com a institui\u00e7\u00e3o financeira, a entrega das chaves deveria acontecer 13 meses ap\u00f3s a assinatura da compra do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na apela\u00e7\u00e3o ao TRF1, a Caixa argumentou que o envolvimento da institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria com a obra foi somente em rela\u00e7\u00e3o a financiamento, vistorias e mensura\u00e7\u00e3o das etapas executadas com a finalidade de libera\u00e7\u00e3o das parcelas para a construtora. Por esses motivos, o atraso na execu\u00e7\u00e3o da obra seria responsabilidade da construtora, e n\u00e3o da CEF.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a construtora, em recurso, informou que se encontra em recupera\u00e7\u00e3o judicial e n\u00e3o pode suportar a condena\u00e7\u00e3o sem que seja afetado drasticamente o quadro financeiro da empresa. Alegou que j\u00e1 estava debilitada quando foi programada a entrega do im\u00f3vel. Explicou que a demora em quest\u00e3o foi causada por fatores alheios \u00e0 vontade da construtora e que poderiam ensejar o aumento de prazo para o t\u00e9rmino da obra. Afirmou que fortes chuvas, greve de funcion\u00e1rios e grave crise financeira prejudicaram a entrega das chaves do im\u00f3vel, sendo que o atraso n\u00e3o tem o cond\u00e3o de gerar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p>No TRF1, o caso ficou sob relatoria do juiz federal convocado Caio Castagine Marinho. Ele destacou em seu voto a obriga\u00e7\u00e3o de reparar daquele que causa dano a algu\u00e9m, prevista no C\u00f3digo Civil Brasileiro. Para o magistrado, ficou claro que, de acordo com as cl\u00e1usulas contratuais, cabia \u00e0 CEF liberar os valores necess\u00e1rios \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da obra. Essa circunst\u00e2ncia ficou condicionada ao regular andamento dos trabalhos, conforme cronograma aprovado pelo banco. Al\u00e9m disso, a Caixa obrigou-se a fazer o acompanhamento das obras, desde o in\u00edcio at\u00e9 a averba\u00e7\u00e3o do \u201chabite-se\u201d, sob pena de bloqueio da entrega das parcelas do financiamento \u00e0 construtora.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessas previs\u00f5es contratuais, o magistrado ressaltou que a Caixa n\u00e3o fiscalizou o regular pagamento do seguro de garantia, nem sequer a contrata\u00e7\u00e3o desse seguro. Pelo contr\u00e1rio, a CEF continuou a liberar as parcelas do financiamento mesmo diante do n\u00e3o atendimento das<\/p>\n\n\n\n<p>obriga\u00e7\u00f5es do contrato. Assim, a institui\u00e7\u00e3o financeira teria obriga\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria de ressarcir o preju\u00edzo causado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Caio Castagine, por tratar-se de rela\u00e7\u00e3o de consumo, \u00e9 direito b\u00e1sico do consumidor a prote\u00e7\u00e3o contra m\u00e9todos comerciais desleais, como prev\u00ea o artigo 6\u00ba do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC). &#8220;Desta forma, se a Caixa alega n\u00e3o ter responsabilidade pelos preju\u00edzos causados \u00e0 autora, lhe caberia exigir a respectiva repara\u00e7\u00e3o em face da construtora. O consumidor \u00e9 que n\u00e3o pode ser penalizado pelo atraso na entrega do im\u00f3vel&#8221;, ponderou o magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s alega\u00e7\u00f5es da construtora, o juiz federal salientou que a ocorr\u00eancia de chuvas e greve de funcion\u00e1rios s\u00e3o eventos inerentes \u00e0 atividade da constru\u00e7\u00e3o civil, tratando-se, portanto, de fatos previs\u00edveis nesse ramo de atividade. O magistrado enfatizou que a construtora n\u00e3o apresentou na apela\u00e7\u00e3o documentos que comprovem suas alega\u00e7\u00f5es ou elementos concretos suficientes para infirmar os fundamentos da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando n\u00e3o haver d\u00favidas de que a autora sofreu danos causados pelo atraso da entrega do im\u00f3vel, o Colegiado, nos termos do voto do relator, negou provimento \u00e0s apela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo n\u00ba: 0035190-33.2012.4.01.3300<\/p>\n\n\n\n<p>TRF1 17.06.2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Diante dessas previs\u00f5es contratuais, o magistrado ressaltou que a Caixa n\u00e3o fiscalizou o regular pagamento do seguro de garantia (&#8230;)&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[28,78],"tags":[160,103,162,163,164,158,157,165],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=770%2C500&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=770%2C500&ssl=1",770,500,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=300%2C195&ssl=1",300,195,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=640%2C416&ssl=1",640,416,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=640%2C416&ssl=1",640,416,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=770%2C500&ssl=1",770,500,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=770%2C500&ssl=1",770,500,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?resize=770%2C500&ssl=1",770,500,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?resize=770%2C500&ssl=1",770,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?fit=770%2C500&ssl=1",770,500,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?resize=540%2C285&ssl=1",540,285,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio-1.jpg?resize=375%2C250&ssl=1",375,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/atualidades-juridicas\/\" rel=\"category tag\">atualidades jur\u00eddicas<\/a> <a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/direito-imobiliario\/\" rel=\"category tag\">Direito Imobili\u00e1rio<\/a>","tag_info":"Direito Imobili\u00e1rio","comment_count":"0","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":316,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314\/revisions\/316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}