{"id":483,"date":"2020-09-27T07:40:00","date_gmt":"2020-09-27T10:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=483"},"modified":"2021-08-17T17:16:03","modified_gmt":"2021-08-17T20:16:03","slug":"direito-a-revisao-de-beneficio-previdenciario-cujo-merito-nao-foi-apreciado-na-concessao-decai-em-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2020\/09\/27\/direito-a-revisao-de-beneficio-previdenciario-cujo-merito-nao-foi-apreciado-na-concessao-decai-em-dez-anos\/","title":{"rendered":"Direito \u00e0 revis\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio cujo m\u00e9rito n\u00e3o foi apreciado na concess\u00e3o decai em dez anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Em julgamento realizado sob o rito dos recursos especiais repetitivos (<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/repetitivos\/temas_repetitivos\/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&amp;tipo_pesquisa=T&amp;cod_tema_inicial=975&amp;cod_tema_final=975\"><strong>Tema 975<\/strong><\/a>), a Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) fixou a tese de que \u00e9 aplic\u00e1vel o prazo decadencial de dez anos, estabelecido no <em>caput<\/em> do <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8213cons.htm#art103\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 103<\/strong><\/a> da Lei 8.213\/1991, aos pedidos de revis\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio nas hip\u00f3teses em que a quest\u00e3o controvertida n\u00e3o foi apreciada por ocasi\u00e3o do ato administrativo de concess\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o julgamento, por maioria de votos, o colegiado pacificou entendimentos divergentes nos colegiados de direito p\u00fablico do tribunal e permitiu a solu\u00e7\u00e3o uniforme de pelo menos 2.700 a\u00e7\u00f5es que, de acordo com o <a href=\"https:\/\/www.cnj.jus.br\/bnpr-web\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Banco Nacional de Demandas Repetitivas<\/strong><\/a> do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, estavam suspensas em todo o pa\u00eds, aguardando o precedente qualificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na discuss\u00e3o do tema, o relator do recurso, ministro Herman Benjamin, fez a diferencia\u00e7\u00e3o entre os institutos da prescri\u00e7\u00e3o e da decad\u00eancia. Segundo o ministro, a prescri\u00e7\u00e3o tem como alvo um direito violado \u2013 ou seja, para que ela incida, deve haver controv\u00e9rsia caracterizada pela resist\u00eancia manifestada pelo sujeito passivo, sendo essa a ess\u00eancia do princ\u00edpio da <em>actio nata<\/em> (o direito de a\u00e7\u00e3o nasce com a viola\u00e7\u00e3o ao direito).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por subentender a viola\u00e7\u00e3o do direito, o regime prescricional admite causas que impedem, suspendem ou interrompem o prazo prescricional, e, assim como j\u00e1 frisado, a a\u00e7\u00e3o s\u00f3 nasce ao titular do direito violado&#8221;, explicou o relator.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a decad\u00eancia, segundo o ministro, tem incid\u00eancia sobre os direitos exercidos independentemente da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do sujeito passivo, conhecidos na doutrina como potestativos. Desse modo, para o exerc\u00edcio do direito potestativo e a consequente incid\u00eancia da decad\u00eancia \u2013 apontou \u2013, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio haver afronta a esse direito ou expressa manifesta\u00e7\u00e3o do sujeito passivo para configurar resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 falar, portanto, em impedimento, suspens\u00e3o ou interrup\u00e7\u00e3o de prazos decadenciais, salvo por expressa determina\u00e7\u00e3o legal (artigo 207 do C\u00f3digo Civil)&#8221;, afirmou o relator.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Manifesta\u00e7\u00e3o do\u200b\u200b\u200b INSS<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com Herman Benjamin, o direito de revisar o benef\u00edcio previdenci\u00e1rio, previsto no artigo 103 da Lei 8.213\/1991, \u00e9 qualificado como potestativo, ou seja, o exerc\u00edcio do direito de revis\u00e3o em \u00e2mbito administrativo ou judicial pelo segurado independe da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sendo suficiente que haja concess\u00e3o ou indeferimento do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua natureza potestativa, apontou o ministro, &#8220;o direito de pedir a revis\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio independe de viola\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do fundo de direito (manifesta\u00e7\u00e3o expressa da autarquia sobre determinado ponto), tanto assim que a revis\u00e3o ampla do ato de concess\u00e3o pode ser realizada independentemente de haver expressa an\u00e1lise do INSS. Caso contr\u00e1rio, dever-se-ia impor a extin\u00e7\u00e3o do processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito por falta de pr\u00e9vio requerimento administrativo do ponto n\u00e3o apreciado pelo INSS&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o relator ponderou que, caso fosse a inten\u00e7\u00e3o do legislador exigir a expressa negativa do direito reclamado pelo segurado, teria adotado o regime prescricional nesses casos e, assim, o prazo teria in\u00edcio com a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da <em>actio nata<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sob a perspectiva aqui proposta, o regime decadencial impingido ao direito de revis\u00e3o \u00e9 muito mais ben\u00e9fico ao segurado do que \u00e9 o regime prescricional, pois, al\u00e9m de ter prazo de dez anos \u2013 el\u00e1stico se comparado aos demais prazos do ordenamento jur\u00eddico \u2013, pode ser exercido independentemente de a autarquia ter-se oposto expressamente ao ponto objeto de inconformidade&#8221;, disse o relator.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fixar a tese, entretanto, Herman Benjamin ressalvou a possibilidade futura de o STJ enfrentar controv\u00e9rsia sobre a repercuss\u00e3o da a\u00e7\u00e3o judicial trabalhista na contagem do prazo decadencial descrito no artigo 103 da Lei 8.213\/1991. Essa possibilidade, apontou, decorre da hip\u00f3tese de que o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o trabalhista que atinja o benef\u00edcio previdenci\u00e1rio possa ser interpretado como exerc\u00edcio do direito de revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De\u200b\u200bcad\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Com a fixa\u00e7\u00e3o da tese, no caso concreto, a Primeira Se\u00e7\u00e3o reformou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o que havia conclu\u00eddo pela n\u00e3o incid\u00eancia da decad\u00eancia para a revis\u00e3o dos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios prevista no artigo 103 da Lei 8.213\/1991, nos casos de quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas no processo administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Acolhendo o recurso do INSS, o colegiado declarou a decad\u00eancia do direito de revis\u00e3o do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia o <a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=1680864&amp;num_registro=201603308183&amp;data=20200804&amp;formato=PDF\"><strong>ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/a> do REsp 1.644.191.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s): <a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp 1644191\">REsp 1644191<\/a><a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp 1648336\">REsp 1648336<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 22.09.2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;(&#8230;) Herman Benjamin ressalvou a possibilidade futura de o STJ enfrentar controv\u00e9rsia sobre a repercuss\u00e3o da a\u00e7\u00e3o judicial trabalhista na contagem do prazo decadencial descrito no artigo 103 da Lei 8.213\/1991.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","covernews-slider-full":"","covernews-slider-center":"","covernews-featured":"","covernews-medium":"","covernews-medium-square":""},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=483"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1505,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483\/revisions\/1505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}