{"id":530,"date":"2020-10-14T09:14:00","date_gmt":"2020-10-14T12:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=530"},"modified":"2020-10-08T20:20:23","modified_gmt":"2020-10-08T23:20:23","slug":"em-acao-possessoria-revelia-impede-reconhecimento-de-direito-a-indenizacao-por-benfeitorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2020\/10\/14\/em-acao-possessoria-revelia-impede-reconhecimento-de-direito-a-indenizacao-por-benfeitorias\/","title":{"rendered":"Em a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria, revelia impede reconhecimento de direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que, nas a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias, se h\u00e1 revelia do r\u00e9u, o juiz n\u00e3o pode determinar a indeniza\u00e7\u00e3o das benfeitorias no im\u00f3vel, sob pena de se caracterizar julgamento <em>extra petita <\/em>(fora do pedido), ante a aus\u00eancia de pedido indenizat\u00f3rio formulado na contesta\u00e7\u00e3o, ou mesmo em momento posterior.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O deferimento do pleito de indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias pressup\u00f5e a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia delas e da discrimina\u00e7\u00e3o de forma correta&#8221;, afirmou a ministra Nancy Andrighi, relatora do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>O colegiado julgou recurso interposto por uma companhia de habita\u00e7\u00e3o popular contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR), o qual, no curso de a\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00e3o de contrato de compra e venda de im\u00f3vel com reintegra\u00e7\u00e3o de posse, manteve a senten\u00e7a que reconheceu para a r\u00e9 revel o direito de recebimento pelas benfeitorias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fora dos limites<\/h2>\n\n\n\n<p>A companhia habitacional alegou que o julgamento se deu fora dos limites do pedido, pois, tendo sido decretada a revelia, n\u00e3o houve provas da exist\u00eancia das benfeitorias nem pedido de pagamento por elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na decis\u00e3o recorrida, o tribunal de origem consignou que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de requerimento expresso para reconhecimento ao direito de indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias, conforme o artigo 1.219 do C\u00f3digo Civil de 2002 (CC\/2002). Fundamentou ainda que o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias \u00e9 consequ\u00eancia l\u00f3gica da rescis\u00e3o do contrato, ante a proced\u00eancia do pedido de reintegra\u00e7\u00e3o de posse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Previs\u00e3o legal<\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu voto, Nancy Andrighi destacou que, de fato, os artigos 1.219 e 1.220 do CC\/2002 disp\u00f5em que o possuidor de boa-f\u00e9 tem direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 reten\u00e7\u00e3o do valor das benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis, bem como a faculdade de levantar as benfeitorias voluptu\u00e1rias se n\u00e3o lhe forem pagas \u2013 desde que o fa\u00e7a sem deteriorar a coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a ministra salientou que, no caso analisado, em que n\u00e3o houve apresenta\u00e7\u00e3o de contesta\u00e7\u00e3o pela parte a ser beneficiada com a indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias, nem a formula\u00e7\u00e3o de pedido posterior nesse sentido, o juiz n\u00e3o poderia determinar de of\u00edcio o pagamento sem que isso caracterizasse julgamento <em>extra petita<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Princ\u00edpio dispositivo<\/h2>\n\n\n\n<p>A magistrada sublinhou que o C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 (CPC\/2015), em seus artigos <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art141\"><strong>141<\/strong><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art492\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>492<\/strong><\/a>, define que o juiz deve julgar o m\u00e9rito da a\u00e7\u00e3o nos limites propostos, sendo proibido conhecer de quest\u00f5es n\u00e3o alegadas quando a lei exigir iniciativa da parte \u2013 o chamado princ\u00edpio dispositivo, da congru\u00eancia ou da adstri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O referido princ\u00edpio se encontra umbilicalmente ligado ao dever de tratamento ison\u00f4mico das partes pelo juiz \u2013 <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art139\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 139<\/strong><\/a>, I, do CPC\/2015 \u2013, de maneira que este n\u00e3o pode agir de of\u00edcio para sanar ou corrigir eventual omiss\u00e3o de qualquer das partes na pr\u00e1tica de ato processual de incumb\u00eancia exclusiva.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nancy Andrighi explicou que a viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio dispositivo implica nulidade do que foi decidido al\u00e9m ou fora dos limites da postula\u00e7\u00e3o da parte, bem como da decis\u00e3o que deixou de apreciar a pretens\u00e3o material que integra o pedido formulado na peti\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em uma interpreta\u00e7\u00e3o conjunta dos artigos 141 e 492, ambos do CPC\/2015, e 1.219 e 1.220, ambos do CC\/2002, \u00e9 poss\u00edvel depreender que a pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria atinente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de benfeitorias deve ser instrumentalizada mediante pedido em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ou at\u00e9 mesmo em sede de contesta\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o&#8221;, observou a relatora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consequ\u00eancia l\u00f3gica<\/h2>\n\n\n\n<p>Quanto ao fato de o tribunal de origem ter consignado que a indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias seria consequ\u00eancia l\u00f3gica da resolu\u00e7\u00e3o do contrato de compra e venda, a ministra afirmou que a jurisprud\u00eancia do STJ tamb\u00e9m entende nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ela destacou que tal conclus\u00e3o n\u00e3o afasta a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o das benfeitorias e de pedido expresso da parte interessada, ainda que ap\u00f3s a contesta\u00e7\u00e3o \u2013 conforme entendimento da pr\u00f3pria Terceira Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a ministra, a jurisprud\u00eancia do STJ &#8220;n\u00e3o excepciona a formula\u00e7\u00e3o de pedido referente \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o das benfeitorias, somente o momento do requerimento e a forma como este \u00e9 realizado&#8221;. O entendimento da ocorr\u00eancia de julgamento <em>extra petita<\/em> no caso sob an\u00e1lise \u2013 acrescentou \u2013 n\u00e3o retira da parte interessada o direito de pleitear em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a indeniza\u00e7\u00e3o por eventuais benfeitorias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O prazo prescricional da referida pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria apenas tem in\u00edcio com o tr\u00e2nsito em julgado da a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o do contrato de compra e venda do im\u00f3vel&#8221;, recordou a relatora.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia o <a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ATC&amp;sequencial=115545647&amp;num_registro=201902676905&amp;data=20200928&amp;tipo=91&amp;formato=PDF\"><strong>ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s): <a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp 1836846\">REsp 1836846<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 08.10.2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O prazo prescricional da referida pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria apenas tem in\u00edcio com o tr\u00e2nsito em julgado da a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o do contrato de compra e venda do im\u00f3vel&#8221;, recordou a relatora.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":312,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[11,28,78],"tags":[497,499,500,32],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1",512,360,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=300%2C211&ssl=1",300,211,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?resize=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?resize=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?fit=512%2C360&ssl=1",512,360,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?resize=512%2C340&ssl=1",512,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/direito_imobili\u00e1rio_3.png?resize=400%2C250&ssl=1",400,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a 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