{"id":537,"date":"2020-10-19T14:16:37","date_gmt":"2020-10-19T17:16:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=537"},"modified":"2020-10-19T14:17:39","modified_gmt":"2020-10-19T17:17:39","slug":"ex-empregado-mantido-no-plano-de-saude-por-mais-de-dez-anos-apos-a-demissao-nao-podera-ser-excluido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2020\/10\/19\/ex-empregado-mantido-no-plano-de-saude-por-mais-de-dez-anos-apos-a-demissao-nao-podera-ser-excluido\/","title":{"rendered":"Ex-empregado mantido no plano de sa\u00fade por mais de dez anos ap\u00f3s a demiss\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser exclu\u00eddo"},"content":{"rendered":"\n<p>\u200b\u200b\u200bA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) confirmou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro (TJRJ) que determinou que um ex-empregado desligado h\u00e1 mais de dez anos e sua esposa sejam mantidos em plano de sa\u00fade originalmente contratado pela empresa. Embora seja de dois anos o tempo m\u00e1ximo de perman\u00eancia do empregado demitido no plano coletivo \u2013 como previsto no artigo 30, <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9656.htm#art30%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>par\u00e1grafo 1\u00ba<\/strong><\/a>, da Lei 9.656\/1998 \u2013, o ex-empregador manteve o casal no plano de assist\u00eancia por mais de uma d\u00e9cada, tendo os benefici\u00e1rios assumido o pagamento integral.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o colegiado, o longo tempo de perman\u00eancia no plano despertou nos benefici\u00e1rios a confian\u00e7a de que n\u00e3o perderiam a assist\u00eancia de sa\u00fade, de modo que a sua exclus\u00e3o neste momento, passada uma d\u00e9cada do desligamento profissional e quando eles j\u00e1 est\u00e3o com idade avan\u00e7ada, violaria o princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o processo, em raz\u00e3o do contrato de trabalho, o ex-funcion\u00e1rio era benefici\u00e1rio, com sua esposa, do plano de sa\u00fade. Ele foi demitido em 2001, mas a participa\u00e7\u00e3o no plano foi estendida at\u00e9 2013, quando o ex-empregado, ent\u00e3o com 72 anos de idade, foi notificado pelo antigo empregador de sua exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao determinar o restabelecimento do plano de sa\u00fade e a indeniza\u00e7\u00e3o aos benefici\u00e1rios pelos gastos com a contrata\u00e7\u00e3o de um novo plano assistencial, o TJRJ levou em considera\u00e7\u00e3o que a idade avan\u00e7ada do ex-empregado dificultava a ades\u00e3o a novos planos, em raz\u00e3o do elevado valor do pr\u00eamio. Al\u00e9m disso, de acordo com o tribunal fluminense, o idoso deve ser considerado pessoa vulner\u00e1vel, nos termos do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art230\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 230<\/strong><\/a> da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Confian\u00e7a e supressio<\/h2>\n\n\n\n<p>Tanto o ex-empregador quanto o plano de sa\u00fade recorreram ao STJ. Segundo o ex-empregador, o julgamento do TJRJ violou o artigo 30, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei 9.656\/1998 ao determinar que o benefici\u00e1rio permane\u00e7a eternamente vinculado ao plano. J\u00e1 a empresa que administra o plano de sa\u00fade questionou, entre outros pontos, a ordem para disponibilizar ap\u00f3lices individuais aos benefici\u00e1rios, pois ela n\u00e3o comercializaria mais essa modalidade de assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A relatora dos recursos, ministra Nancy Andrighi, mencionou a doutrina sobre o tema para dizer que, segundo o princ\u00edpio da responsabilidade pela confian\u00e7a \u2013 uma das vertentes da boa-f\u00e9 objetiva \u2013, aquele que origina a confian\u00e7a de algu\u00e9m deve responder, em certas circunst\u00e2ncias, pelos danos causados.<\/p>\n\n\n\n<p>A <em>supressio<\/em>, exemplo da responsabilidade pela confian\u00e7a \u2013 traduzida como um &#8220;n\u00e3o exerc\u00edcio abusivo do direito&#8221;, nas palavras da ministra \u2013, indica a possibilidade de se considerar suprimida determinada obriga\u00e7\u00e3o contratual na hip\u00f3tese em que o credor, por n\u00e3o a exigir, fizer surgir no devedor a leg\u00edtima expectativa de que essa supress\u00e3o se prorrogar\u00e1 no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Implica, assim, a redu\u00e7\u00e3o do conte\u00fado obrigacional pela in\u00e9rcia qualificada de uma das partes, ao longo da execu\u00e7\u00e3o do contrato, em exercer determinado direito ou faculdade, criando para a outra a percep\u00e7\u00e3o v\u00e1lida e plaus\u00edvel \u2013 a ser apurada casuisticamente \u2013 de ter havido a ren\u00fancia \u00e0quela prerrogativa&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Frustra\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, Nancy Andrighi entendeu que a manuten\u00e7\u00e3o do ex-empregado no plano de sa\u00fade por liberalidade do antigo empregador, consolidada pelo prolongado decurso do tempo, \u00e9 circunst\u00e2ncia capaz de criar no benefici\u00e1rio a confian\u00e7a de que a empresa renunciara ao direito de exclui-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, segundo a ministra, &#8220;esse exerc\u00edcio agora, quando j\u00e1 passados dez anos, e quando os benefici\u00e1rios j\u00e1 contam com idade avan\u00e7ada, gera uma situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio inadmiss\u00edvel entre as partes, que se traduz no indesejado sentimento de frustra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s): <a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp 1879503\">REsp 1879503<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 14.10.2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;No caso dos autos, Nancy Andrighi entendeu que a manuten\u00e7\u00e3o do ex-empregado no plano de sa\u00fade por liberalidade do antigo empregador, consolidada pelo prolongado decurso do tempo, \u00e9 circunst\u00e2ncia capaz de criar no benefici\u00e1rio a confian\u00e7a de que a empresa renunciara ao direito de exclui-lo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":538,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[11,28],"tags":[511,510,508,509,406,32,512],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=1880%2C1200&ssl=1","featured_image_urls":{"full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=1880%2C1200&ssl=1",1880,1200,false],"thumbnail":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?resize=150%2C150&ssl=1",150,150,true],"medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=300%2C191&ssl=1",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=640%2C408&ssl=1",640,408,true],"large":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=640%2C409&ssl=1",640,409,true],"1536x1536":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=1536%2C980&ssl=1",1536,980,true],"2048x2048":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=1880%2C1200&ssl=1",1880,1200,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?resize=1077%2C715&ssl=1",1077,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?resize=522%2C500&ssl=1",522,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?fit=1024%2C654&ssl=1",1024,654,true],"covernews-medium":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?resize=540%2C285&ssl=1",540,285,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/i0.wp.com\/blog.bfsadvocacia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pexels-photo-48604.jpeg?resize=375%2C250&ssl=1",375,250,true]},"author_info":{"display_name":"bfsadvocacia","author_link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/author\/bfsadvocacia\/"},"category_info":"<a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/advogado-sp\/\" rel=\"category tag\">advogado sp<\/a> <a href=\"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/category\/atualidades-juridicas\/\" rel=\"category tag\">atualidades jur\u00eddicas<\/a>","tag_info":"atualidades jur\u00eddicas","comment_count":"0","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/537"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=537"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":539,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/537\/revisions\/539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}