{"id":851,"date":"2021-02-18T14:35:08","date_gmt":"2021-02-18T17:35:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/?p=851"},"modified":"2021-02-18T14:35:23","modified_gmt":"2021-02-18T17:35:23","slug":"neto-absolutamente-incapaz-que-esteve-sob-guarda-do-avo-tem-direito-a-pensao-por-morte-do-tipo-vitalicia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.bfsadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/02\/18\/neto-absolutamente-incapaz-que-esteve-sob-guarda-do-avo-tem-direito-a-pensao-por-morte-do-tipo-vitalicia\/","title":{"rendered":"Neto absolutamente incapaz que esteve sob guarda do av\u00f4 tem direito \u00e0 pens\u00e3o por morte do tipo vital\u00edcia"},"content":{"rendered":"\n<p>Em julgamento de embargos de diverg\u00eancia, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) garantiu o direito \u00e0 pens\u00e3o por morte do tipo vital\u00edcia a um homem com grave defici\u00eancia \u200bf\u00edsica e ps\u00edquica que era menor de idade e estava sob a guarda de fato do av\u00f4 materno quando este morreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decis\u00e3o, o colegiado reafirmou entendimentos recentes da Primeira Se\u00e7\u00e3o no sentido de que a legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria deve ser interpretada em conformidade com o artigo 33,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art33%C2%A73\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>par\u00e1grafo 3\u00ba<\/strong><\/a>, do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), que confere ao menor sob guarda a condi\u00e7\u00e3o de dependente para fins previdenci\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a Corte apontou que o entendimento \u00e9 o mais condizente com os direitos fundamentais reconhecidos pelo Brasil em favor das crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os embargos foram interpostos pelo autor, representado por sua m\u00e3e, contra o ac\u00f3rd\u00e3o da Sexta Turma que deu provimento a recurso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Sexta Turma rejeitou o pedido de pens\u00e3o por morte do segurado por concluir que o menor sob guarda deixou de ter direito ao benef\u00edcio com a edi\u00e7\u00e3o da Lei 9.528\/1997, que alterou a reda\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo 2\u00ba do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8213cons.htm#art16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 16<\/strong><\/a>&nbsp;da Lei da Previd\u00eancia Social (Lei 8213\/1991). \u00c0 \u00e9poca do julgamento, a Sexta Turma ainda era competente para julgar mat\u00e9ria previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos embargos, a defesa alegou que os direitos fundamentais da crian\u00e7a e do adolescente s\u00e3o elencados na Constitui\u00e7\u00e3o Federal com&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;de prioridade absoluta. Nesse sentido, argumentou que a regra previdenci\u00e1ria do ECA tem primazia sobre a previs\u00e3o normativa em mat\u00e9ria de pens\u00e3o por morte contida na Lei da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reorienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial<\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu voto, o ministro Raul Ara\u00fajo explicou que a Terceira Se\u00e7\u00e3o havia fixado entendimento contr\u00e1rio \u00e0 concess\u00e3o de pens\u00e3o por morte em caso de menor sob guarda quando o \u00f3bito do segurado ocorresse a partir da vig\u00eancia da MP 1.523\/1996 (convertida na Lei 9.528\/1997). Isso porque o colegiado compreendia que a norma previdenci\u00e1ria possu\u00eda preponder\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao ECA, em raz\u00e3o de sua natureza espec\u00edfica na compara\u00e7\u00e3o com o car\u00e1ter geral do estatuto.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relator, a mudan\u00e7a de posicionamento do STJ na mat\u00e9ria ocorreu ap\u00f3s a compet\u00eancia para o julgamento de processos de direito previdenci\u00e1rio ser deslocada da Terceira para a Primeira Se\u00e7\u00e3o. Ele lembrou que a se\u00e7\u00e3o de direito p\u00fablico fixou tese reconhecendo o direito \u00e0 pens\u00e3o por morte para menor sob guarda, desde que comprovada a depend\u00eancia econ\u00f4mica, mesmo que o falecimento do segurado tenha ocorrido depois das mudan\u00e7as na Lei da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a se\u00e7\u00e3o de direito p\u00fablico, a orienta\u00e7\u00e3o se baseava na qualidade de lei especial do ECA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Situa\u00e7\u00e3o excepcional<\/h2>\n\n\n\n<p>Raul Ara\u00fajo ressaltou que as normas protetivas da crian\u00e7a e do adolescente previstas na Constitui\u00e7\u00e3o e no ECA decorrem do princ\u00edpio fundamental da dignidade humana. &#8220;Tais postulados s\u00e3o bases do Estado Democr\u00e1tico de Direito e, por isso, devem orientar a interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das normas jur\u00eddicas&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o ministro, o caso analisado \u00e9 excepcional, sendo aplic\u00e1vel ao autor dos embargos de diverg\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 o ECA, mas tamb\u00e9m o Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora tenha alcan\u00e7ado a maioridade meses ap\u00f3s a data do \u00f3bito de seu av\u00f4 materno, em raz\u00e3o de sua defici\u00eancia de longo prazo, n\u00e3o h\u00e1 como se deixar de reconhecer ainda presente a j\u00e1 comprovada depend\u00eancia econ\u00f4mica de seu av\u00f4 materno&#8221;, enfatizou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o provimento dos embargos pela Corte Especial, foi reformado o ac\u00f3rd\u00e3o da Sexta Turma para negar o recurso especial do INSS. Assim, determinou-se o restabelecimento da decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o que manteve parcialmente a senten\u00e7a de pagamento da pens\u00e3o por morte ao neto do falecido empregado aposentado da extinta Rede Ferrovi\u00e1ria Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)\u00a0processo(s): <a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=EREsp%201104494\">EREsp 1104494<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>STJ 17.02.2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julgamento de embargos de diverg\u00eancia, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a 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